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SONETOS
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O
soneto é uma das mais perfeitas formas de poesia do gênero
lírico. É a poesia inteira contida em 14 versos enfeixados
em quatro estrofes. O soneto é, também, uma das mais
difíceis formas de poesia, uma vez que nos quatorze versos
enquadra toda uma sentença poética, todo o enredo de
uma pequena história vivida ou imaginada pelo autor. Apresenta-se
em dois modelos: o italiano (clássico) e o inglês. A
diferença entre os dois é que, o inglês, se compõe
de três quartetos e um dístico, e o modelo italiano,
são duas quadras (quartetos) e dois tercetos. As quadras rimam
entre si, isto é, os dois quartetos são vinculados entre
si por apenas duas rimas. O tercetos também rimam entre si,
podendo ter duas rimas ou três. assim, deve haver um esquema
de rimas para os oito primeiros versos, e outro esquema para os seis
versos restantes. "Visita à Casa Paterna" (Luís Guimarães Júnior)
Como a ave que volta ao ninho antigo, Depois de um longo e tenebroso inverno. Eu quis também rever o lar paterno, O meu primeiro e virginal abrigo.
Entrei. Um gênio carinhoso e amigo, O fantasma talvez do amor materno, Tomou-me as mãos - olhou-me grave e terno, E, passo a passo, caminhou comigo.
Era esta a sala (Oh, se me lembro! e quanto!) Em que da luz noturna à clarifdade, Minhas irmãs e minha mãe... O pranto.
Jorrou-me ondas,,, Resistir quem há-de? - Uma ilusão gemia em cada canto, Chorava em cada canto uma saudade.
Exemplo de soneto inglês: "Ternura" (David Mourão)
Desvio dos teus ombros o lençol, que é feito de ternura amarrotada, De frescura que vem depois do sol, quando depois do dol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade! Há restos de ternura pelo meio, como vultos perdidos na cidade em que uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente, e é ternura também que vou vestindo, para enfrentar lá fora aquela gente que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós a despimos, assim que estamos sós.
O esquema para as rimas,é o seguinte: Para as quadras: ABAB-ABAB ou ABBA-ABBA
"Amizade" (Sueli Teixeira)
Sim, é espontânea e feita de simplicidade. É inspiração. É falar de coisas singelas como poesia, música e amenidades para ter ressonâncias humanas e belas.
Por tudo isto, também é cumplicidade. É pintarmos juntos modesta aquarela poder compartilhar nossa felicidade, pois amizade não se faz com bagatela.
A amizade é linda como o pôr do sol! É ter com quem contar. É ter afinidade. É se envolver com o canto do rouxinol.
É ser leal, guardar segredos... e muitos. É amar, acreditar, ter afetividade. Amizade é isto: rir e chorar, juntos.
A
palavra soneto é tida como diminutivo de "son", que
no Provençal antigo, significa poema. Há fontes que
registram "sonneto", do italiano, como diminutivo de "suono",
que siginifica som - música que se coloca em poema. Conforme
este registro, o soneto data do Século XII, quando Frederico
II, Rei da silícia (1296-1337), estimulou em Palermo a criação
de um lirismo cortês em Língua Italiana.
"O Eterno Soneto" (Aníbal Albuquerque)
Escrevem que o soneto é do passado, que morreu ou, por fim, está morrendo. Que compor um soneto ou cantar fado é demonstrar velhice ou gosto horrendo.
Quatorze versos bem metrificados, em sua forma rígida contendo temas vários, porém, selecionados: ele será eterno, assim entendo.
Foi forma de Petrarca e de Camões, do barroco Gregório, mas também árcades, simbolistas, parnasianos,
em sonetos, cantaram ilusões, com versos ricos, fortes que, porém, mais belos ficam ao passar dos anos.
"Contraste" (Cícero Acaiaba)
É simples, mas também muito complexo: por quantas vezes se ama cegamente quem não nos ama? Deus, mostre-me o nexo de só querer quem faz sofrer a gente.
O rápido prazer que o corpo sente quando procura se iludir no sexo, deixa na alma um vazio, um permanente tédio, com seu mórbido reflexo.
O amor maior de minha vida foi sempre uma constante despedida, adeus que acena imaginário lenço.
Luto para esquecê-la, e não consigo; se outra me quer, diz-se feliz comigo, meu coração não quer: só nela eu penso. |